quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Arte

Não me justifico senão pela necessidade;
não há espaço pra mim, embora esteja liberta.
- A arte ganhou as ruas! -
ora, quem grita?
será a própria rua? Quem grita?

Houve tempo em que me senti estimada, e
tanto valor me foi dado
que mesmo eu arte sendo,
estatuto de deusa me permiti.

Eis que me relativizaram importância
- como fizeram com todas as deusas os de vida curta.
Me acusam de sectarismo: e eu tenho opção?

Surgirá o compositor que me vai alçar com a sua música...

Quem grita?
Serão ecos de rua?
Salve-se as ruas...
Salve, quem puder, a mim.

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